Desde que você partiu, a saudade tem estado a me falar de você...
Sim, querido... Ela chega às horas perdidas da noite, e vem
mansamente, como se fosse um pouco de luar, na imensidão, de uma noite de mistério.
E a inquietação vem falar de você... Vem colocar o nervosismo, em meu corpo
agitado... E o meu cérebro, começa a
divagar.
Todos os meus antigos sonhos renascem, e minhas esperanças
começam a ressurgir... Minhas próprias ilusões
parecem renascer, ao toque mágico dessa saudade imensa, que me fala de você.
E fico sonhando, meu amor... Caminho longamente pelo quarto
deserto, o cérebro começa a refletir, e parece sentir o peso da dor, que faz
curvar minha cabeça... O quarto na penumbra eterna, faz com que toda a minha
ansiedade aumente.
Abro a janela, e olho o jardim deserto, a brisa murmurando
segredos de amor às rosas pálidas... O chafariz inquieto e marulhante
transformam em sussurros discretos, um soluçar profundo...
A amargura coloca a máscara fria da dor em minha face... A
tristeza me fala ao coração, e sua voz me parece um lamento, desses que a noite
encerra...
E compreendo que minha solidão é completa... Muito mais
completa... Por que você esta longe de mim, meu amor...
Do
fundo do baú- 1974
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